WARNING

No auge do 'verão', como é chamado o período de estiagem na região que vai de Junho a Janeiro, as lagoas e rios temporários estão secos ou com o nível baixo de água. As lagoas dão lugar às pastagens e várzeas, que se formam em cima do solo úmido que era o leito da lagoa. Neste período a recreação na água é possível apenas nas lagoas perenes, como a lagoa do Peixe e a lagoa da Esperança

Atividades recomendadas:
Recreação na água nas lagoas perenes
Contemplação de dunas
Caminhadas

Período: Novembro a Janeiro

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Eu como guia do grupo, deveria ter visto esse aviso. ...mas não vi...
E fomos nós, 3 casais de Minas Gerais fazer a travessia dos Lençóis Maranhenses  à pé, sem apoio (ou seja, levando tudo que se precisa nas costas) e com um prazo limitado para a aventura. Tínhamos 5 dias (de 25/12 a 30/12/09) para chegarmos à Barreirinhas, onde passaríamos nosso Revéllion e Ano Novo.


25/12, Natal de 2009, 6 aventureiros felizes "da vida" no aeroporto de São Luis/MA não vendo a hora de começar a tão esperada travessia dos Lençóis. Apesar de ser um dos mais famosos roteiros turísticos do Brasil, visitado por milhares de pessoas todo ano, a travessia do parque é rara. Diria que quase não realizada. O normal é ir até Barreirinhas, e de lá fazer os passeios em veículos 4x4 ou quadricíclos nas lagoas perenes próximas. Quem é mais animado, até vai a Santo Amaro do Maranhão e de lá faz passeios "mais profundos" no parque e retornam. Não é permitido fazer a travessia do parque em veículos motorizados.



Reinaldo e Rosângela


Antônio e Eliziane


Fernando e Mária


Quem é Quem?







As opções para ir de São Luis à Barreirinhas são avião fretado (U$180 por pessoa), ônibus de linha (U$40) e fretamento de carro, a nossa escolha que saiu por (U$214) para 6 passageiros.

O conforto não foi lá "essas coisas" nos quase 260km na BR402. Ou motorista contava histórias ou dirigia... (e ele falava pra caramba).





Quase 7 horas depois...





1º dia

Dia 26/12 - Já recuperados e super animados para por o pé da areia quente, um café reforçado, preparação das mochilas (parte da nossa bagagem ficou na Pousada em Barreirinhas, onde voltaríamos 5 dias depois).

Pegamos um ônibus de linha e voltamos pela BR 402 por 54km até o povoado do Sangue. . Lá embarcamos em uma jardineira por mais 36km até Santo Amaro do Maranhão, portal dos Lençóis.













Agora, só estradas de areia onde apenas veículos 4x4 e motoristas experientes conseguem passar. ´


necessário murchar os pneus para andar em trechos arenosos...












não é raro veículos 4x4 de turistas sem experiência atolados fechando a estrada. O jeito é ajudar...





...chegando em Santo Amaro



Depois de uma merecido almoço con nosso motorista do rally, por volta das 15h começamos a caminhada rumo às primeiras dunas.










A primeira duna você nunca esquece...













Começamos a ver (e percorrer) as primeiras lagoas secas. Ainda não tinha caído a ficha que seriam muitas (praticamente todas) nos próximos dias.






Ainda com suprimentos a 100% a energia era total para a primeira noite totalmente dentro do parque.











2º dia

Após uma razoável noite de sono, café da manhã, desmontar acampamento e pé da estrada (ou quase). 

Alguém pode imaginar que por serem dunas brancas em todas as direções que se olha, o cenário fica monótono, mas não é bem assim. São lindos!

A claridade atrapalha e requer óculos o tempo todo (existe risco de queima da retina igual ocorre na neve). O calor é forte e depois do meio do dia a temperatura da areia já acima do que suportamos com naturalidade.








... e nada de água

Já no parque há quase 36 horas, tendo usado parte das reservas de água para jantar e café da manhã, começámos a ter que racionar um pouco (e isso não é bom).

Joli (Antônio) já fazia furos no leito de areia molhada buscando água, mas não deu muito resultado.







10, 20, 30cm de água já nos era perfeito, apesar de momentos de frustração.







Após o refresco mais uma caminhada tentando encontrar um ponto mais adequado para o segundo acampamento.

E achamos 👍




















3º dia

Após o descanso e brincadeiras na lagoa, seguimos em direção a Queimada dos Britos, povoado no coração das dunas. 




tinha até movimento contrário na rota...










Todos tínhamos pastilhas de purificação de água e todos usaram, menos eu. Na verdade, ao encontrar a lagoa maior, eu já mergulhei bebendo da água (tenho esse costume lá dos banhos nas cachoeiras de Minas Gerais). Só não percebi que mais ao fundo, vacas compartilhavam a lagoa conosco.

Tive um mal estar tremendo. Somado à desidratação, os vômitos me deixaram em situação complicada. Já começaram a falar em resgate aéreo. Felizmente minha esposa é enfermeira e com as técnicas certas, soro e descanso me recuperei.










Chegando à ilha

Uma ilha. É assim que os moradores da Queimada dos Britos chamam o pequeno oásis em que vivem. Cercada por um mar de areia, a vila fica a algumas horas de qualquer lugar, sempre caminhando pelas dunas.  Onde todos são parentes, primos e normalmente casam entre si. Segundo contam, o fundador Manuel Brito teria vindo do Ceará para fugir de uma forte seca que atingia o sertão e acabou fincando morada na única região não arenosa dos Lençóis.

Os cerca de 200 moradores vivem da pesca, o mar está a duas horas de caminhada, do turismo e da criação bem extensiva de gado e bodes que ficam soltos pelas dunas. Luz elétrica só de gerador e hoje solar em apenas algumas residências. Queimada dos Britos merece uma visita pela sua singularidade e beleza. 

É parada obrigatória para quem se atreve cruzar os Lençóis Maranhenses a pé, seja de Santo Amaro para Atins ou no sentido contrário (nossa situação). Uma comida simples, uma rede, um bom papo com os nativos, tornam a acolhida dos viajantes particularmente agradável.









3° dia


Já recuperado, todos descansados era hora de tomar o caminho de casa (de Barreirinhas).

Essa parada foi nossa salvação. Ali contando a eles nosso projeto, nossos perrengues, descobrimos o ERRO de estar ali nos Lençóis naquele mês. Em agosto a Queimada dos Britos ficou com quase 1m de água nas ruas. Aí começa a baixar e o auge da seca é entre dezembro e janeiro. Afirmaram que não encontraríamos mais lagoas com água na nossa rota planejada. Poderiam até ter algumas, mas o risco de não as vermos, passando por trás de uma duna seria grande.

Não iríamos voltar. A decisão então foi mudar a rota indo em direção ao litoral e de lá seguir pela praia a Atins, na foz do Rio Preguiças.




...saindo da Queimada















Pensamos que seria mais fácil.

Com a mudança da rota, íamos de oeste para nordeste, ou seja em direção ao mar e tínhamos que subir as dunas, uma atrás da outra e não era nada fácil. Existia a opção de contornar pelas laterias, onde a subidas seriam mais amenas, mas algumas bordas estavam a km de distância (sem chance). Com as lagoas cheias, pense que precisará ser assim, uma vez que algumas têm profundidade de até 2,5m.







Atlántico à vista!

Caminhando desde às 8h, e já próximo das 13h chegamos ao litoral. O calor era implacável e resolvemos para ali para almoçar e descansar um pouco. 

Uma cabana de pescadores com bomba d'água manual ao lado foi nosso oásis.















Depois do descanso, já bem mais animados e agora com um vento contante vindo do mar, decidimos andar até o anoitecer, que ocorreu próximo das 19:30h.



















Terceira noite de travessia, às margens da praia, o astral não era muito bom. Poucas fotos, quase nada de interação entre o grupo. Melhor foi dormir, restabelecer as forças para o último dia até Atins.




4° dia
Começamos cedo.
Às 5h já estávamos quase saindo. Tínhamos 36km pela frente até o próximo povoado. 












O dia nublou e até deu um chuvisco, o que nos rendeu bem a caminhada. Já na entrada de Atins, paramos para o almoço no Canto dos Lençóis. Ai foi mais 7km até o porto de Atins, onde pegamos um barco para atravessar a foz do Rio Preguiças para o Pontal do Caburé.










Pontal do Caburé


Certamente 99% dos turistas chegar ao Caburé vindo de lancha à partir de Barreirinha. Só há duas formas, de lança ou caminhando como nós. A escolha é do freguês.

O lugar possui boa infraestrutura, com bares e restaurantes que servem petiscos e bebidas, provenientes de uma vila simples de pescadores. É uma boa opção para um agradável dia na praia. Encurralada entre o Rio Preguiças e mar, a Praia de Caburé é um passeio alternativo para quem vai desbravar os Lençóis Maranhenses. De mar calmo, areia branca e águas limpas, a praia é uma ótima opção para relaxar sem fazer nada por um dia inteiro e para quem curte esportes náuticos.




Já tínhamos a reserva na pousada em Caburé (mesmo dono da que ficamos em Barreirinhas). Eu e Rosângela fomos ainda fazer um reconhecimento, nadar e fotografar. Os outros foram "fazer nada".


















5 dia

Depois do café da manhã estávamos "novos". Eu até queria voltar para Queimada, mas fui vencido pela maioria...

Cruzamos novamento o rio até o porto e enquanto esperávamos nossa lança para subir o Preguiças até Barreirinhas fomos visitar o farol local.












é muita beleza...










Vassouras, um lugar especial

na margem direita de quem desce o rio Preguiças, fica um povoado de Vassouras. Porta dos Pequenos Lençois, que como o principal (o grande) tem muitas dunas e lagoas de água doce (na época das chuvas). As areias não são brancas como do grande Lençóis e há mais vegetação de mangue nos arredores. O local é lindo e parada obrigatória das lanchas que sobem e descem o rio com turistas.


Abaixo, três fotos (de drone) de autor desconhecido para mostrar a beleza do local 👇






nos divertimos bastante nesse lugar.



















chegando em Barreirinhas

depois de muio riso, muita zoação, subindo o Preguiças chegamos a destino inicial. Voltamos à pousada para o nosso merecido Ano Novo... afinal era 31/12/2009. 


As festas nos esperavam...


















... e foi festa






01/01/2010

no primeiro dia de 2010 acordamos muito bem e fomos curtir o último dia em Barreirinhas, com passeio as lagoas perenes do Peixe e da Esperança do entorno da cidade, as únicas com razoável volume de água naquela ocasião. Também fizemos mais um passeio de lancha pelo rio Preguiças para conhecer a comunidade local e suas tradicionais casas de farinha.

No fim do dia pegamos o ônibus para São Luis, onde chegamos à noite.




















Em São Luis foi bem corrido, pois de fato a estada foi mais para aguardar os voos de retorno à BH. Rodamos pelo mercado, parte do centro histórico e do pequeno litoral da cidade. No dia seguinte, Fernando, Mária, Joli (Antônio) e Eliziane foram embora. Eu e Rosângela ainda ficamos até segunda quando embarcamos pela manhã.



















Agradeço a Deus por mais essa experiência, pela companhia e apoio sempre de minha amada esposa, pelos grandes amigos e companheiros de aventura.

O mesmo local, mesmo cenário será sempre diferente a depender de sua companhia e certamente de cada momento de cada pessoa. Podemos falar e mostrar tudo de uma região, mas a experiência de um local só pode ser vivida individualmente, estando lá.


Grato pela visita ao Blog.


Abaixo, outras de nossas aventuras

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